Converter DBF: o que se perde e como evitar
A conversão parece um passo mecânico, mas é onde os dados mais se estragam — em silêncio, sem uma única mensagem de erro.
O que conferir antes de converter
- Codificação. Se o texto acentuado aparece certo no visualizador, estará certo na exportação. Se não, corrija a codificação primeiro — senão você converte lixo. Veja caracteres estranhos em DBF.
- Memo. Há campos M, e o .fpt ou .dbt está presente? Sem ele o texto não chega à exportação.
- Registros excluídos. Decida de antemão se os quer. Uma diferença na contagem de linhas é difícil de explicar depois.
- Quantidade de registros. O cabeçalho do DBF às vezes superestima o contador: o arquivo foi cortado numa cópia. Uma ferramenta honesta avisa.
Para onde converter
XLSX — quando o arquivo vai para uma pessoa. Números devem continuar números, datas continuam datas, códigos continuam texto. Uma exportação correta faz isso sozinha, e nada precisa ser “consertado” à mão no Excel.
CSV — quando o arquivo vai para outro programa. Duas configurações decidem: codificação e delimitador. Sistemas mais antigos costumam querer uma página de código de um byte, como windows-1252, e ponto e vírgula; os modernos querem UTF-8. Mais em codificação de CSV.
SQL — quando os dados vão para um banco de dados. Uma exportação com CREATE TABLE pronto poupa descrever cento e cinquenta campos à mão e não erra os tipos.
JSON — quando os dados vão para um serviço web.
O caminho inverso: produzir um DBF
Às vezes é preciso o oposto — entregar dados a um sistema antigo que só aceita DBF. Aí aparecem os limites do formato:
- o nome de um campo tem no máximo dez caracteres, sem pontos nem barras;
- um campo de texto tem no máximo 254 bytes, e o que conta são bytes: uma letra acentuada ocupa um byte em uma página de código de um byte e dois em UTF-8;
- a codificação é só de um byte — nenhum programa antigo lê UTF-8 em um DBF;
- o texto longo vai para o memo, o que significa que surge um segundo arquivo, e os dois precisam viajar juntos.
Uma ferramenta precisa dizer o que exatamente alterou: como encurtou o nome de um campo, o que moveu para o memo, onde truncou um valor. Uma conversão silenciosa é a pior opção que existe.
Como conferir o resultado
A conferência mais confiável é ler de volta. Exporte para DBF, abra o arquivo resultante e compare-o com o original por um campo-chave. Se a ferramenta sabe comparar tabelas, isso leva um minuto e mostra as diferenças até o campo.
Para exportações em CSV e XLSX, basta conferir por amostragem as colunas mais arriscadas: códigos com zeros à esquerda (CPF, CEP), identificadores longos, datas e valores com casas decimais.
Perguntas frequentes
Quantos registros cabem em um CSV?
Não há limite. O teto de 1.048.576 linhas é do Excel, não do formato.
A marca de exclusão sobrevive a uma conversão?
Em CSV e XLSX, só se você a exportar explicitamente como uma coluna. Ao exportar para DBF a marca é preservada.
E os campos General e Picture?
São objetos binários e não passam de modo útil para formatos de texto. O tamanho é mostrado e os dados ficam no DBF.
Grátis para uso pessoal. Seu arquivo não é enviado a nenhum servidor. Versão para Windows — 3.5 MB, sem instalação: detalhes. Para organizações — licença.